Crianças são seres sociais em formação, que demandam atenção e, principalmente, tempo. Muitas vezes, os adultos, sobrecarregados e frutos de uma época onde o correto era esconder suas emoções, reagem no automático e reproduzem comportamentos que, a longo prazo, podem ser danosos para a inteligência emocional dos filhos.
A seguir, conheça 9 comportamentos parentais que podem deixar os filhos infelizes e inseguros no futuro. Não se trata de imputar culpa e, sim, de criar um alerta para que haja mudança enquanto ainda há tempo.
“Boas notas, mas…”, “Você fez certo, mas…”. Quando até o elogio tem um “porém”, uma crítica, mesmo que simples, não cria um ambiente de incentivo e, sim, de tensão constante. Com o tempo, a tendência é a criança acreditar que seu esforço nunca é suficiente, passar a esconder falhas e se fechar.
Comece com um elogio: “Estou orgulhoso”, “adorei o seu esforço!”. Em seguida, busque com a própria criança uma autoavaliação: “Em uma próxima vez, o que você acha que poderia ficar ainda melhor?”, “O que tentaria diferente?”.
No desespero para acalmar rápido uma criança, soltamos frases que invalidam os sentimentos dela. “Não foi nada”, “nem machucou”, “chorar é coisa de bebê”. Mas pode passar a mensagem que certas emoções são proibidas. Seu filho vai escondê-la, mas não vai deixar de senti-las.
Quando um adulto diz “Você está exagerando”, a criança muitas vezes ouve: “Não confie no que você sente”. Mais tarde, isso aparece como dificuldade de nomear emoções, explosões emocionais ou um “está tudo bem” automático.
Quando você planeja a vida do seu filho, pode parecer um cuidado, uma dedicação pensada para o futuro. Mas pode gerar uma grave crise de identidade: eles crescem sem saber do que gostam e com a sensação de que não vivem a própria vida.
Autonomia não é “deixar fazer tudo”; é dar espaço real de escolha dentro de limites. Em vez de “você vai fazer natação porque eu mandei”, experimente: “Você quer continuar na natação ou prefere pensar em outra atividade?”. Os pais são, sim, autoridade, mas nem todas as escolhas precisam partir deles.
Há pais que estão fisicamente presentes no dia a dia e na tomada de decisões, mas não dão o principal: tempo e atenção. As crianças precisam de momentos consistentes: olhar, ouvir, perguntar. Dez minutos de atenção total costumam valer mais do que uma tarde inteira junto fisicamente, mas emocionalmente distante.
Gritos, ameaças, humilhações geram resultados a curtíssimo prazo, mas não geram aprendizado futuro quando a criança erra. Ela pode até te obedecer, mas aprende a viver em alerta e a evitar erros como se fossem perigos.
Vergonha não corrige, ela marca. Quando a disciplina depende de intimidação, a criança aprende a se esconder, não a se responsabilizar.
É muito importante conversar com seu filho, mas é prejudicial quando os pais o tornam confidentes de problemas de “gente grande”. A criança sente que precisa sustentar o adulto e aprende a ser forte de forma precoce.
Esse fenômeno tem nome: parentificação, uma inversão de papeis familiares, e pode deixar marcas comuns: culpa crônica, dificuldade de dizer “não” e exaustão nos relacionamentos.
Mesmo em tom de brincadeira, a comparação cria competição e encolhe identidades: a “inteligente”, o “desastrado”, a “criativa”. A criança começa a representar o papel que lhe deram. Também é importante não trazer tais comparações durante conflitos.
Conflitos acontecem. O maior problema é ignorá-lo e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. A criança fica confusa e com culpa. Pedir desculpas não tira autoridade; dá segurança. Varrer as emoções para debaixo do tapete não criam famílias tranquilas e, sim, omissas.
Os medos e inseguranças fazem parte do desenvolvimento de qualquer criança, que tem uma série de coisas a experimentar e a desbravar. Quando os pais tentam diminuir o sentimento genuíno dos pequenos, a mensagem que fica é “Você está sozinho”.
Crianças que podem se apoiar tornam-se, com o tempo, mais confiantes. Um “porto seguro” acelera a coragem.